sexta-feira, 3 de novembro de 2017

É possível mudar a orientação sexual?

A sexualidade recebe influências sociais:


Fonte: Uma interpretação do desejo. Jhon H.  Gagnon.Garamond

Uma Interpretação do Desejo  -  John H. Gagnon
O autor, referência mundial na área de estudos sociológico e históricos da sexualidade, aborda temas como abuso sexual, adolescência, pornografia, homossexualidade masculina e feminina e terapias sexuais, além de expor a elaboração da teoria dos roteiros sexuais.

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14x21cm, 456 páginas, ISBN 85-7617-091-4
 muito comum as pessoas mudarem preferências quanto ao gênero nas relações eróticas ao longo da vida... Do ponto de vista da teoria da roteirização, as preferências eróticas por pessoas do mesmo gênero são despertadas pelos sistemas de significação oferecidos à conduta por uma dada cultura" p. 194

"No estudo das preferencias quanto ao gênero nas relações eróticas (também conhecidas como heterossexualidade ou homossexualidade, sexualidade gay, lesbianismo, sexualidade hetero ou orientação sexual), as características do ator sexual e de sua conduta são cada vez mais reconhecidas como um artefato  especificamente  cultural e histórico... é patente que o sexo entre homens e mulheres e homens e homens e entre  mulheres e mulheres não é o mesmo  nas diferentes culturas, ou em diferentes momentos da história.... a construção social da sexualidade..."

"Essa preferencia é instável e mutável no correr da vida.
Essa instabilidade é tanto interna ( o que desejamos na outra pessoa muda) como externa (podemos vir a desejar pessoas do outro gênero, assim com pessoas do mesmo gênero).p. 162

anseio de alguns gays e lésbicas  de localizar a origem de seus desejos numa biologia ou numa experiência precoce inalteradas e imutáveis merece uma resposta respeitosa, muito embora eu o considere um erro... A tese da construção social segundo  a qual as preferencias eróticas pelo mesmo gênero são simples artefatos culturais..."p. 165


"Nas circunstâncias contemporâneas, a concepção do desejo pelo mesmo gênero com uma orientação irreversível é menos plausível para muitos gays e lésbicas, bem como para a opinião acadêmica"202

"A intensa reação negativa a bissexualidade  e às lésbicas políticas, bem como a construção de testes de identidade para as fornas culturalmente corretas de ser gay ou lésbica, representam o reconhecimento, por alguns membros de gays e lésbicas, de que essa própria comunidade é relativamente permeável e de que as preferencias que a organizaram são potencialmente muito instáveis"p. 206


"os debates sobre a importância da fixação precoce da orientação sexual, a estabilidade da preferência quanto ao gênero nas relações eróticas ao longo da vida e as diferenças baseadas no gênero entre o estilo de vida dos gays e lésbicas já não são discussões entre os cientistas, mas fazem parte de intensos debates politicos-ideológicos dentro das comunidades  de gays e de lésbicas" p. 197

"Hoje em dia, é possível reconhecer que pode haver mudanças nas preferênicas quanto ao gênero nas relações eróticas, tanto na fantasia, quanto na conduta, durante a vida inteira. Essa instabilidade parece prevalecer particularmente na adolescência, quando se está vivenciando o processo de adquirir os roteiros sexuais apropriados a cada gênero...  está bastante claro que , na faixa dos 12 aos 17 anos, os aspectos de gênero do "quem" dos roteiros sexuais em processo de formação não são fixos (Kinsey, Pomeroy, e Martim, 1948) p. 203

Há também indicações  de que um número maior de pessoas que antes tinham preferências eróticas exclusivas ou quase exclusivas pelo mesmo gênero vem  fazendo experiências com a conduta erótica em realação ao gênero oposto.p. 205


""...as preferencias eróticas por pessoas do mesmo gênero são despertadas e moldadas pelos mesmos sistemas de significação oferecidos à conduta por uma dada cultura"


"A homossexualidade era socialmente construída, informaram os cientistas da sociais, e vivida de maneiras determinadas pela cultura e pela história, e não por fatores biológicos ou distorções precoces da personalidade. p. 278

"A flexibilidade e a receptividade à mudança que tem caracterizado a os indivíduos da comunidade gay talvez nos deem as indicações mais instrutivas sobre a natureza da sexualidade como um elemento receptivo à cultura e ao contexto,e não como algo fixo e imutável. p. 282

É possível mudar a orientação sexual (terapia para tratamento da insatisfação sexual)
Masters e Jhonson, 1979.

Resultado de imagem para homossexualidade em perspectiva

"Se o terapeuta for incapaz de desenvolver e firmar uma atitude pessoal objetiva em relação à homossexualidade, facilmente poderá prejudicar a alteração de orientação sexual, logo no início da terapia. Atitudes tão preconcebidas como o entendimento da homossexualidade como anomalia, perversão sexual, ou mesmo doença física tem sido abertamente assumidas por terapeutas". Em outras palavras, esses terapeutas tem insistido em tratar o candidato à conversão ou reversão como se fosse um paciente sofrendo de um estado patológico físico, psicológico, ou social,  cuja existência clínica, nunca foi constatada. Tal fuga á indispensável neutralidade  profissional, debaixo do manto da imposição cultural, quase sempre resulta na tentativa de imposição  de valores sociais ou sexuais do terapeuta ao paciente." p. 274

"O instituto  não realizava  tratamentos de conversão sem o auxílio de parceiras heterossexuais, e que deveria existir a oportunidade de atividade heterossexual regular após a fase aguda do tratamento, sem o que a cooperação de uma parceira durante aquela fase seria de reduzido valor". p. 291

"Para que o tratamento da insatisfação homossexual possa ser eficaz, os terapeutas precisam  desenvolver um razoável grau de neutralidade profissional na sua condução; e os pacientes precisam demonstrar um grau suficiente de motivação para a alteração da sua orientação sexual" p. 323

"A terapia da insatisfação sexual representa a área mais dramática  de insucesso dos programas de tratamento homossexuais do Instituto. O índice combinado  (homens e mulheres)  de fracassos terapêuticos foi estimado como chegando por volta de 35% (vide cap. 17)" p. 336

"O conceito atual, de que o homem ou mulher homossexual disfuncional ou insatisfeito não pode ser tratado sem uma proporção de fracassos de 80 a 90 % está simplesmente, errado.

Não obstante as óbvias fraquezas destes dados estatísticos de seguimento, é positivo o resultado obtido neste período de 10 anos  de estudo, em termos de estatísticas de insucessos. Em grande parte, os bons resultados obtidos podem ser atribuídos aos procedimentos rigorosos de seleção de pacientes, ao uso - vital- de parceiros do sexo oposto na terapia e ás múltiplas vantagens advindas do uso de equipes de terapeutas compostas de homem e mulher." p. 330

Appropriate Therapeutic Responses to Sexual Orientation
https://www.apa.org/pi/lgbt/resources/therapeutic-response.pdf



Este estudo não DISSE SER IMPOSSÍVEL, disse ser RARO, INCOMUM:

Em 2009, a Associação Psicológica Americana criou uma força tarefa sobre o tema: “Respostas terapêuticas apropriadas à orientação sexual com a revisão da literatura relevante de pesquisa” (Appropriate Therapeutic Responses to Sexual Orientation which reviewed the relevant research literature). A conclusão deste trabalho, que examinou o que de mais importante havia sido produzido até então em termos de estudos científicos, foi a seguinte:  



Neste relatório, usamos o termo esforços de mudança de orientação sexual (SOCE) para descrever os métodos que visam mudar um comportamento sexual do mesmo sexo. Orientação (por exemplo, técnicas comportamentais, técnicas psicanalíticas, Abordagens médicas, abordagens religiosas e espirituais) para

Heterossexuais, independentemente de profissionais de saúde mental ou Indivíduos (incluindo profissionais religiosos, líderes religiosos, Grupos e outras redes leigas, como grupos de auto-ajuda).p. 12
"Mudanças duradouras na orientação sexual dos indivíduos são incomuns. Os que participaram deste corpo de pesquisas continuaram a experimentar atração pelo mesmo sexo seguindo os esforços para a mudança de orientação sexual (SOCE) e não relataram mudança significativa frente a outras atrações sexuais que pudessem ser empiricamente validadas, embora alguns tenham mostrado excitação fisiológica diminuída para todos os estímulos sexuais. Evidências consideráveis de diminuição do comportamento sexual direcionado para o mesmo sexo e de engajamento em comportamento sexual com o sexo oposto foram rarasPoucos estudos forneceram evidências fortes de que as alterações produzidas em condições de laboratório possam ser transpostas para a vida diária. Assim, os resultados da pesquisa cientificamente válida indicam que é improvável que as pessoas possam ser capazes de reduzir a atração pelo mesmo sexo ou aumentar a atração pelo sexo oposto através (das terapias do tipo) SOCE. No mais, a Força tarefa encontrou evidências que indicam que alguns indivíduos experimentaram danos ou acreditaram que foram prejudicados por estas intervenções(AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2009, p. 2-3)

"As evidências disponíveis, tanto dos primeiros como dos recentes estudos, sugerem que, embora seja improvavel mudar a orientação sexual, alguns indivíduos modificam sua Identidade de orientação sexual (isto é, indivíduo ou Adesão ao grupo e afiliação, auto-rotulagem) e outros aspectos da sexualidade (isto é, valores e comportamento). Eles o fizeram de várias maneiras e com desfecho imprevisível, alguns dos quais temporários. Por exemplo, em algumas pesquisas, os indivíduos, Participando na SOCE, tornou-se habilidoso em ignorar ou tolerar suas atrações pelo mesmo sexo. Algumas pessoas relatam que eles passaram a levar um avida exterior heterossexual desenvolvendo uma relação sexual com um parceiro do outro sexo e adotando uma identidade heterossexual. Estes resultados foram menos comuns para aqueles sem experiência heterossexual." p. 3

"The available evidence, from both early and recent studies, suggests that although sexual orientation
is unlikely to change, some individuals modified their sexual orientation identity (i.e., individual or
group membership and affiliation, self-labeling) and other aspects of sexuality (i.e., values and behavior). They did so in a variety of ways and with varied and unpredictable outcomes, some of which were temporary. For instance, in some research, individuals, through participating in SOCE, became skilled in ignoring or tolerating their same-sex attractions. Some individuals report that they went on to lead outwardly heterosexual lives, developing a sexual relationship with an othersex
partner, and adopting a heterosexual identity. These results were less common for those with no prior
heterosexual experience."
"O trabalho cientificamente rigoroso mais antigo nesta área (por exemplo, Birk et al., 1971; S. James, 1978; McConaghy, 1969, 1976; McConaghy et ai., 1972; Tanner, 1974, 1975)
Mostram que a mudança duradoura na orientação de um indivíduo  é rara e que apenas uma pequena
número de pessoas nestes estudos mostram qualquer evidência de redução da atração sexual do mesmo sexo. Alguns mostram diminuição da excitação fisiológica para Estímulos. Evidência convincente de diminuição  de comportamento com pessoas do mesmo sexo e maior atração sexual e envolvimento no comportamento sexual com pessoas do outro sexo era raro. Poucos estudos forneceram provas sólidas
que quaisquer alterações produzidas em condições laboratoriais foram traduzidas para a vida diária. Muitas pessoas continuaram experimentar atrações sexuais com pessoas mesmo sexo seguindo SOCE e raramente relataram mudanças significativas  de atração sexual  a pessoas do mesmo sexo.Assim, concluímos o seguinte s obre a SOCE: Os resultados de pesquisas cientificamente válidas
Indicam que é improvável que os indivíduos possam reduzir as atrações sexuais ao mesmo sexo ou aumentar as pelo outro sexo através de SOCE. p. 83

"As poucas investigações iniciais que foram conduzidas com rigor científico suscitam preocupações
à segurança da SOCE, uma vez que alguns participantes  relataram efeitos colaterais não intencionais das intervenções. Esses efeitos colaterais negativos incluíram perda de desejo sexual, depressão, ideação suicida, e ansiedade. O alto nesses estudos pode indicar que alguns participantes da pesquisa podem ter experimentado tratamento prejudicial e descontinuado (Lilienfeld, 2007). Não existem estudos recentes da SOCE que nos permitissem declaração definitiva sobre se o SOCE recente é seguro ou prejudiciais e para quem.p. 83"

The few early research investigations that were
conducted with scientific rigor raise concerns about
the safety of SOCE, as some participants suffered
unintended harmful side effects from the interventions.
These negative side effects included loss of sexual
feeling, depression, suicidality, and anxiety. The high
dropout rate in these studies may indicate that some
research participants may have experienced these
treatments as harmful and discontinued treatment
(Lilienfeld, 2007). There are no scientifically rigorous
studies of recent SOCE that would enable us to make a
definitive statement about whether recent SOCE is safe
or harmful and for whom.

OBSERVAÇÃO: 
Todos estes sintomas: perda de desejo sexual, depressão, ideação suicida, e ansiedade. São mais comuns em pessoas que tem um conflito em sua homossexualidade e são essas pessoas em conflito que buscam a SOCE , ou seja, as terapias de reorientação sexual:

"Além disso, verificou-se que indivíduos religiosos que possuem crenças de que a homossexualidade é pecaminosa e moralmente inaceitável são proeminentes na população que atualmente  procuram   a SOCE. Esses indivíduos procuram SOCE porque a postura desaprovadora de suas religiões para a homossexualidade produz conflitos por um lado, entre as suas crenças e valores e, por outro, a sua orientação sexual. Esses conflitos resultam sofrimento significativo devido às percepções dos clientes
São incapazes de integrar a sua fé e os sua orientação sexual" p. 82
Further, we found that religious individuals with beliefs that homosexuality is sinful and morally unacceptable are prominent in the population that currently undergoes SOCE. These individuals seek SOCE because the disapproving stance of their faiths toward homosexuality produces conflicts between, on the one hand, their beliefs and values and, on the other, their sexual orientation. These conflicts result in significant distress due to clients’ perceptions that they are unable to integrate their faith and sexual orientation. 

Indivíduos relataram que a SOCE forneceu Vários benefícios: 

(a) um lugar para discutir seus conflitos (Beckstead & Morrow, 2004, Erzen, 2006, Ponticelli,

1999; Wolkomir, 2001); 


(B) estruturas cognitivas que Lhes permitiu reavaliar sua orientação sexual Identidade, atrações e eu de maneiras que diminuíram vergonha e angústia e aumento da auto-estima (Erzen,  2006; Karten, 2006; Nicolosi et al., 2000; Ponticelli, 1999; Robinson, 1998; Schaeffer et al., 2000; Spitzer,
2003; Throckmorton, 2002); 


 (C) apoio social e Modelos de papel (Erzen, 2006, Ponticelli, 1999, Wolkomir, 2001, 2006); E (d) estratégias para viver consistentemente com sua fé religiosa e comunidade (Beckstead & Morrow, 2004; Erzen, 2006; Horlacher, 2006; S. L. Jones & Yarhouse, 2007; Nicolosi et al., 2000; Ponticelli, 1999;

Robinson, 1998; Wolkomir, 2001, 2006; Throckmorton & Welton, 2005 p. 49


For instance, participants reporting beneficial
effects in some studies perceived changes to their
sexuality, such as in their sexual orientation, gender
identity, sexual behavior, sexual orientation identity
(Beckstead, 2001; Nicolosi et al., 2000; Schaeffer et
al., 2000; Spitzer, 2003; Throckmorton & Welton,
2005), or improving nonsexual relationships with
men (Karten, 2006). These changes in sexual selfviews
were described in a variety of ways (e.g., exgay,
heterosexual, heterosexual with same-sex sexual
attractions, heterosexual with a homosexual past) and
with varied and unpredictable outcomes, some of which
were temporary (Beckstead, 2003; Beckstead & Morrow,
2004; Shidlo & Schroeder, 2002). McConaghy (1999)reported that some men felt they had more control in
their sexual behavior and struggled less with their
attractions after interventions, although same-sex
sexual attractions still existed (cf. Beckstead & Morrow,
2004). Additionally, some SOCE consumers describe
that trying and failing to change their same-sex sexual
orientation actually allowed them to accept their samesex
attractions (Beckstead & Morrow, 2004; Smith et
al., 2004).

Por exemplo, os participantes relataram em alguns estudos  que perceberam mudanças em sua
sexualidade, como na sua orientação sexual, identidade  de orientação sexual, comportamento sexual, identidade de orientação sexual (Beckstead, 2001), Nicolosi et al., 2000, Schaeffer et al. Al., 2000; Spitzer, 2003; Avaliações de viajantes Throckmorton & Welton, 2005), ou melhora das relações não-sexuais com
Homens (Karten, 2006). Essas mudanças nas auto-visões sexuais foram descritos de uma variedade de modos (por exemplo, ex gay, Heterossexual, heterossexual com relações sexuais do mesmo sexo
Heterossexuais com um passado homossexual) e com resultados variados e imprevisíveis, alguns dos quais
Foram temporários (Beckstead, 2003, Beckstead & Morrow, 2004; Shidlo & Schroeder, 2002). McConaghy (1999) Relataram que alguns homens sentiram que tinham mais controle seu comportamento sexual e lutaram menos com seus atrações após as intervenções, embora as atrações sexuais ainda existiam (ver Beckstead & Morrow, 2004). p. 49


For instance, participants reporting beneficial
effects in some studies perceived changes to their
sexuality, such as in their sexual orientation, gender
identity, sexual behavior, sexual orientation identity
(Beckstead, 2001; Nicolosi et al., 2000; Schaeffer et
al., 2000; Spitzer, 2003; Throckmorton & Welton,
2005), or improving nonsexual relationships with
men (Karten, 2006). These changes in sexual selfviews
were described in a variety of ways (e.g., exgay,
heterosexual, heterosexual with same-sex sexual
attractions, heterosexual with a homosexual past) and
with varied and unpredictable outcomes, some of which
were temporary (Beckstead, 2003; Beckstead & Morrow,
2004; Shidlo & Schroeder, 2002). McConaghy (1999)
reported that some men felt they had more control in
their sexual behavior and struggled less with their
attractions after interventions, although same-sex
sexual attractions still existed (cf. Beckstead & Morrow,
2004).



identidade de orientação sexual refere-se a Reconhecimento e internalização da orientação sexual
E reflete a auto-consciência, auto-reconhecimento, selflabeling, Associação de grupo e afiliação, cultura,
E auto-estigma. A identidade de orientação sexual é uma Elemento na determinação das relações interpessoais Decisões, pois cria uma base para a formação de Comunidade, apoio social, modelos, amizade e Em parceria (APA, 2003, Jordan & Deluty, 1998, McCarn & Fassinger, 1996; Morris, 1997). p. 84

DSM V disforia de Gênero


"o termo gênero surgiu a partir da constatação de que, para indivíduos com indicadores biológicos conflitantes ou ambíguos de sexo (i.e., "intersexuais"), o papel desempenhado na sociedade e/ou a identificação como masculino ou feminino não poderiam ser associados de maneira uniforme com ou ser preditos a partir de indicadores biológicos e, mais tarde, de que alguns indivíduos desenvolvem uma identidade masculina ou feminina em desacordo com seu conjunto uniforme de indicadores biológicos clássicos.
Assim, o termo gênero é utilizado para denotar o papel público desempenhado (e em geral juridicamente reconhecido) como menino ou menina, homem ou mulher; porém, diferentemente de determinadas teorias construcionistas sociais, os fatores biológicos, em interação com fatores sociais e psicológicos, são considerados como contribuindo para o desenvolvimento do gênero.

Designação de gênero refere- -se à designação inicial como homem ou mulher. Geralmente isso ocorre ao nascimento e, por conseguinte, cria o "gênero de nascimento"

Atípicas com o gênero refere-se a características somáticas ou comportamentais não típicas (estatisticamente falando) de indivíduos com a mesma designação de gênero em determinada sociedade em determinado momento histórico;

Não conforme com o gênero é um termo descritivo alternativo para se referir a um comportamento.

Redesignação de gênero denota uma alteração oficial (e geralmente legal) de gênero.


Identidade de gênero é uma categoria de identidade social e refere-se à identificação de um indivíduo como homem, mulher ou, ocasionalmente, alguma categoria diferente de masculino ou feminino.

Disforia de gênero, como termo descritivo geral, refere-se ao descontentamento afetivo/cognitivo de um indivíduo com o gênero designado, embora seja definida mais especificamente quando utilizada como categoria diagnóstica.

Transgênero refere-se ao amplo espectro de indivíduos que, de forma transitória ou persistente, se identificam com um gênero diferente do de nascimento.

Transexual indica um indivíduo que busca ou que passa por uma transição social de masculino para feminino ou de feminino para masculino, o que, em muitos casos (mas não em todos), envolve também uma transição somática por tratamento hormonal e cirurgia genital (cirurgia de redesignação sexual).

Disforia de gênero refere-se ao sofrimento que pode acompanhar a incongruência entre o gênero experimentado ou expresso e o gênero designado de uma pessoa. Embora essa incongruência não cause desconforto em todos os indivíduos, muitos acabam sofrendo se as intervenções físicas desejadas por meio de hormônios e/ou de cirurgia não estão disponíveis. O termo atual é mais descritivo do que o termo anterior transtorno de identidade de gênero, do DSM-IV, e foca a disforia como um problema clínico, e não como identidade por si própria.

Características Diagnósticas
Indivíduos com disforia de gênero apresentam incongruências acentuadas entre o gênero que lhes foi designado(em geral ao nascimento, conhecido como gênero de nascimento) e o gênero experimentado/expresso. Essa discrepância é o componente central do diagnóstico. Deve haver também evidências de sofrimento causado por essa incongruência. O gênero experimentado pode incluir identidades de gêneros alternativas além dos estereótipos binários. 
Em conseqüên-cia, o sofrimento não se limita ao desejo de simplesmente pertencer ao outro gênero, podendo incluir também o desejo de ser de um gênero alternativo, desde que diferente do designado.

A disforia de gênero manifesta-se de formas diferentes em grupos etários distintos. 

Meninas pré-puberais com disforia de gênero podem expressar o desejo de serem meninosafirmar que são meninos ou declarar que serão homens quando crescerem
Preferem usar roupas e cortes de cabelo de meninos, com frequência são percebidas como meninos por estranhos e podem pedir para serem chamadas por um nome de menino. 
Geralmente apresentam reações negativas intensas às tentativas dos pais de fazê-las usar vestidos ou outros trajes femininos. 
Algumas podem se recusar a participar de eventos escolares ou sociais que exigem o uso de roupas femininas. 
Essas meninas podem demonstrar identificação transgênero acentuada em brincadeiras, sonhos e fantasias. 
Com frequência, sua preferência é por esportes de contato, brincadeiras agressivas e competitivas, jogos tradicionalmente masculinos e ter meninos como pares.
 Elas demonstram pouco interesse por brinquedos (p. ex., bonecas) ou atividades (p. ex., usar vestidos ou desem-penhar papéis femininos em brincadeiras) tipicamente femininos
Às vezes, recusam-se a urinar na posição sentada
Algumas meninas podem expressar o desejo de ter um pênis, afirmar ter um pênis ou que terão um pênis quando forem mais velhas.
 Também podem afirmar que não querem desenvolver seios ou menstruar.

Meninos pré-puberais com disforia de gênero podem expressar o desejo ou afirmar que são meninas ou que serão meninas quando crescerem. 
Preferem usar trajes de meninas ou de mulheres ou podem improvisar roupas com qualquer material disponível (p. ex., usar toalhas, aventais e xales como cabelos longos ou como saias). 
Essas crianças podem desempenhar papéis femininos em brincadeiras (p. ex., brincar de "mãe") e com frequência se interessam intensamen-te por bonecas.
 Na maioria das vezes, preferem atividades, jogos estereotípicos e passatempos tradicionalmente femininos (p. ex., "brincar de casinha", desenhar quadros femininos, assistir a programas de televisão ou vídeos com personagens femininos favoritos). 
Bonecas estereotípicas femininas (p. ex., Barbie) geralmente são os brinquedos favoritos, e as meninas são as companheiras de brincadeira preferidas. 
Eles evitam brincadeiras agressivas e os esportes competitivos e demonstram pouco interesse por brinquedos estereotipicamente masculinos (p. ex., carrinhos, caminhões). 
Alguns fingem que não têm pênis e insistem em urinar sentados. Mais raramente, podem dizer que sentem repulsa pelo pênis ou pelos testículos, que gostariam que eles fossem removidos ou que têm, ou gostariam de ter, uma vagina.

Em adolescentes jovens com disforia de gênero, as características clínicas podem se assemelhar às de crianças ou de adultos com a mesma condição, dependendo do nível de desenvolvi-mento. Como as características sexuais secundárias de adolescentes jovens ainda não estão totalmente desenvolvidas, esses indivíduos podem não manifestar nenhum sentimento de repulsa em relação a elas, mas se preocupam com as mudanças físicas iminentes.


Em adultos com disforia de gênero, a discrepância entre a experiência de gênero e as características físicas sexuais é frequentemente, mas nem sempre, acompanhada por um desejo de livrar-se das características sexuais primárias e/ou secundárias e/ou por um forte desejo de adquirir algumas características sexuais primárias e/ou secundárias do outro gênero. Em maior ou menor grau, adultos com disforia de gênero podem adotar o comportamento, as vestimentas e os maneirismos do gênero experimentado. Sentem-se desconfortáveis com o fato de serem con-siderados pelos outros ou de funcionar na sociedade como membros do seu gênero designado. Alguns adultos podem sentir desejo intenso de pertencer a um gênero diferente e de ser tratados como tal e podem ter a convicção interior de sentirem e reagirem como o gênero experimentado sem procurar tratamento médico para alterar as características corporais. Eles podem encontrar outras maneiras de solucionar a incongruência entre o gênero experimentado/expresso e o gênero designado, vivendo parcialmente o papel desejado ou adotando um papel de gênero que não seja.convencionalmente masculino nem convencionalmente feminino.

Disforia de Gênero em Crianças 302.6 (F64.2)
A. Incongruência acentuada entre o gênero experimentado/expresso e o gênero designado de uma pessoa, com duração de pelo menos seis meses, manifestada por no mínimo seis dos seguintes (um deles deve ser o Critério A1):
1. Forte desejo de pertencer ao outro gênero ou insistência de que um gênero é o outro (ou algum gênero alternativo diferente do designado).
2. Em meninos (gênero designado), uma forte preferência por cross-dressing (travestismo) ou simulação de trajes femininos; em meninas (gênero designado), uma forte preferência por vestir somente roupas masculinas típicas e uma forte resistência a vestir roupas femininas típicas.
3. Forte preferência por papéis transgêneros em brincadeiras de faz de conta ou de fantasias.
4. Forte preferência por brinquedos, jogos ou atividades tipicamente usados ou preferidos pelo outro gênero.
5. Forte preferência por brincar com pares do outro gênero.
6. Em meninos (gênero designado), forte rejeição de brinquedos, jogos e atividades tipicamente masculinos e forte evitação de brincadeiras agressivas e competitivas; em meninas (gênero designado), forte rejeição de brinquedos, jogos e atividades tipicamente femininas.
7. Forte desgosto com a própria anatomia sexual.
8. Desejo intenso por características sexuais primárias e/ou secundárias compatíveis com o gênero experimentado.

B. A condição está associada a sofrimento clinicamente significativo ou a prejuízo no funcionamento social, acadêmico ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

A cirurgia de mudança de sexo resolve?
"Antes da redesignação de gênero, adolescentes e adultos com disforia de gênero estão sob risco elevado de ideação suicida, tentativa de suicídio e suicídio. Após a redesignação de gênero, a adaptação pode variar, e o risco de suicídio pode persistir." (DSM V, p. 455)

Prevalência
Em crianças, as proporções entre meninos em comparação com meninas variam de 2:1 a 4,5:1. Em adolescentes, essa proporção se aproxima da paridade; em adultos, a proporção é favorável aos indivíduos do sexo masculino ao nascimento e varia de 1:1 a 6,1:1. Em dois países, aparentemente a proporção entre os sexos é favorável aos indivíduos do sexo feminino ao nascimento (Japão: 2,2:1; Polônia: 3,4:1). (DSM V, p. 455)


Fatores de Risco e Prognóstico
Temperamentais. Para indivíduos com disforia de gênero sem um transtorno do desenvolvimento sexual, o comportamento de gênero atípico entre pessoas com disforia de gênero de início precoce se desenvolve logo no início da idade pré-escolar. É também possível que um grau elevado de atipicidade torne o desenvolvimento de disforia de gênero, assim como sua persistência na adolescência e na vida adulta, mais provável.

Ambientais. Entre indivíduos com disforia de gênero sem um transtorno do desenvolvimento sexual, é mais comum que homens com disforia de gênero (na infância e na adolescência) tenham irmãos mais velhos do que homens sem a condição. Fatores predisponentes adicionais que estão sendo avaliados, especialmente em indivíduos com disforia de gênero de início tardio (adolescência, vida adulta), incluem a transformação do travestismo fetichista habitual em auto- ginecofilia (i.e., excitação sexual associada ao pensamento ou à imagem de si mesmo como uma mulher) e outras formas mais gerais de problemas sociais, psicológicos ou do desenvolvimento.

Genéticos e fisiológicos. Evidências de familiaridade (fraca) de transexualismo entre irmãos não gêmeos, concordância aumentada para transexualismo em gêmeos monozigóticos em com-paração com gêmeos dizigóticos do mesmo sexo, em indivíduos com disforia de gênero sem um transtorno do desenvolvimento sexual, sugerem alguma contribuição genética e algum grau de herdabilidade do transtorno. No que diz respeito aos achados endócrinos, não foram encontradas anormalidades endógenas sistêmicas nos níveis dos hormônios sexuais em indivíduos 46,XY, enquanto parecem ocorrer níveis aumentados de andrógenos (na faixa encontrada em mulheres hirsutas, porém muito abaixo dos níveis masculinos normais) em indivíduos 46,XX. De maneira geral, as evidências atuais são insuficientes para rotular disforia de gênero sem um transtorno do desenvolvimento sexual como uma forma de intersexualidade limitada ao sistema nervoso central. (DSM V, p. 457)

Disforia de gênero em crianças:
As taxas de persistência da disforia de gênero da infância até a adolescência ou a fase adulta variam. Em indivíduos do sexo masculino ao nascimento, a persistência varia de 2,2 a 30%. Em indivíduos do sexo femininoao nascimento, a persistência varia de 12 a 50%. Há modesta correlação entre persistência da disforia de gênero e medidas dimensionais da gravidade apuradas no momento da avaliação inicial da criança. Em uma amostra de indivíduos do sexo masculino ao nascimento, foi identificada também modesta correlação entre persistência e histórico socio- econômico mais baixo. Não está suficientemente claro se abordagens terapêuticas específicas para a disforia de gênero em crianças estão relacionadas a taxas de persistência a longo prazo. As amostras de acompanhamento existentes consistem em crianças que não receberam nenhuma intervenção terapêutica formal ou que receberam vários tipos de intervenção terapêutica, variando desde esforços ativos para reduzir a disforia de gênero até uma abordagem mais neutra de "espera vigilante". 
Não está claro se crianças "encorajadas" ou apoiadas a viver socialmente no gênero desejado apresentam taxas mais elevadas de persistência, visto que elas ainda não foram acompanhadas longitudinalmente de forma sistemática. (DSM V, p. 455)


Relação entre disforia de gênero e orientação sexual
...Tanto entre indivíduos do sexo masculino como entre indivíduos do sexo feminino ao nascimento com evidências de persistência da disforia de gênero, quase todos sentem atração sexual por indivíduos do seu sexo de nascimento. No caso de crianças do sexo masculino ao nascimento cuja disforia de gênero não persiste, a maioria é androfílica (sente atração física por homens) e frequentemente identifica a si mesmo como gay ou homossexual (variando de 63 a 100%). No caso de crianças do sexo feminino ao nascimento cuja disforia de gênero não persiste, o percentual de ginecofílicas (sentem atração física por mulheres) e que identificam a si mesmas como lésbicas é menor (variando de 32 a 50%)." (DSM V, p. 456)


Adolescentes e adultos do sexo masculino ao nascimento, com disforia de gênero de início precocequase sempre sentem atração sexual por homens (androfüicos). 

Adolescentes e adultos com disforia de gênero de início tardio frequentemente adotam comportamento de travestismo com excitação sexual. A maioria desses indivíduos é ginecofílica ou sente atração sexual por outros indivíduos de sexo masculino ao nascimento com disforia de gênero tardio que já iniciaram a transição de gênero. 

Uma porcentagem substancial de indivíduos masculinos adultos com disforia de gênero de início tardio coabita ou é casada com indivíduos femininos ao nascimento. Após a transição de gênero, muitas dessas pessoas se identificam como lésbicas. (DSM V, p. 456)



Em indivíduos femininos ao nascimento, tanto adultos como adolescentes, o curso mais comum é a forma deinício precoce de disforia de gênero. A forma de início tardio é muito me-nos comum em indivíduos do sexo feminino em comparação com os do sexo masculino ao nascimento. Assim como em indivíduos masculinos ao nascimento com disforia de gênero, pode ter ocorrido um período no qual houve recuo da disforia de gênero, e essas pessoas passaram a se identificar como lésbicas. Entretanto, com a recorrência da disforia de gênero, elas buscam ajuda clínica, em geral com a intenção de fazer tratamento hormonal ou cirurgia de redesignação. Os pais de adolescentes femininos ao nascimento com a forma de início tardio também demonstram surpresa, visto que não havia sinais evidentes de disforia de gênero na infância. As expressões de disforia anatômica são muito mais comuns e proeminentes em adolescentes e adultos do que em crianças.

Indivíduos adolescentes e adultos femininos ao nascimento com disforia de gênero de início precoce são quase sempre ginecofílicos. 

Adolescentes e adultos com a forma de início tardio são geralmente androfílicos e, após a transição de gênero, identificam-se como homens gays. Indivíduos femininos ao nascimento com a forma de início tardio não apresentam comportamento de travestismo com excitação sexual.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Os 3 aspectos do desejo sexual

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Neurobiologia do desejo (libido)

O desejo pode ser definido como um estado mental criado por quaisquer estímulos externos que induzam urgência em participar de uma atividade sexual.20 As manifestações de desejo aumentado incluem pensamentos ou fantasias sexuais, além da motivação para iniciar ou disposição para ser receptivo à atividade sexual. É útil considerar 3 aspectos não mutualmente exclusivos do desejo sexual: impulso, motivação e crenças ou valores.

O impulso sexual tem raízes biológicas e parece ser mediado pela ação excitatória da dopamina e pelos efeitos moduladores dos esteroides sexuais junto ao sistema mesolímbico do cérebro.28 Os processos corticais de ordem superior tendem a exercer influências excitatórias e inibitórias sobre os centros corticais inferiores. A dopamina intensifica o impulso sexual e o desejo de continuar a atividade sexual, depois de a estimulação sexual ter sido iniciada. Estes efeitos são inibidos pela serotonina. O estrógeno parece exercer um efeito permissivo discreto, enquanto a testosterona e a progesterona parecem influenciar o início da atividade sexual e a receptividade à abordagem do parceiro, respectivamente.28 As concentrações séricas de prolactina aumentam após o orgasmo, tanto nos homens como nas mulheres, sendo que a hiperprolactinemia crônica está associada a uma libido diminuída em ambos os sexos.29Estas observações sugerem que a prolactina pode ser um fator regulador que sinaliza para os centros do sistema nervoso central (SNC) envolvidos no início ou controle do comportamento sexual. Embora as vias sexuais em mulheres ainda necessitem de elucidações adicionais, foi constatado que os agonistas de alfa-MSH estimulam seletivamente os comportamentos de solicitação em fêmeas de ratos, bem como intensificam o desejo e estimulam a ereção em homens com disfunção erétil psicogênica.27

A motivação sexual é alimentada pela antecipação de um risco ou recompensa associados ao início ou à participação em uma atividade sexual. Os incentivos são diversos e podem incluir: sentimento de proximidade em relação ao parceiro; proporcionar ou sentir prazer sexual; alívio de tensão; engravidar; ou trocar favores sexuais por presentes tangíveis ou intangíveis. Ao contrário, a expectativa (com base em experiências negativas passadas) de dor ou lesão resultante da atividade sexual atua como um dos principais fatores de desestimulação.

As crenças ou valores incluem a personalidade de cada um e os fatores culturais que exercem influências excitatórias ou inibitórias sobre o desejo de engajamento em uma atividade sexual. A motivação e as crenças ou valores provavelmente afetam a libido via influências excitatórias e inibitórias corticais sobre estruturas corticais inferiores. Estudos adicionais são necessários para elucidar as vias específicas envolvidas.
Os conhecimentos sobre neurofisiologia básica da libido ajudam a predizer os efeitos de várias substâncias exógenas. Como esperado, a libido parece ser aumentada pelos intensificadores de dopamina, como as anfetaminas e os inibidores de recaptação de noradrenalina-dopamina (NDRI) (p. ex., bupropiona). Ao contrário, as substâncias que diminuem a atividade da dopamina diminuem a libido: são exemplos os bloqueadores do receptor de dopamina D2 e os inibidores seletivos de receptação de  serotonina (ISRS). A hiperprolactinemia (causada pelos macroadenomas hipofisários, lactação ou uso dos conhecidos agentes antipsicóticos típicos), a intoxicação com agentes depressores do SNC (p. ex., álcool) e o uso de antiandrógenos também diminuem a libido.
Felizmente, a libido diminuída não precisa ser relegada a uma mulher com vida sexual insatisfatória. Muitas mulheres cujo nível de desejo espontâneo está diminuído ou ausente preservam a capacidade de excitação e até de orgasmo, mediante uma forte motivação cognitiva ao engajamento na atividade sexual e com auxílio de técnicas de estimulação sexual habilidosas. 

http://www.medicinanet.com.br/conteudos/acp-medicine/5802/sexualidade_feminina_avaliando_a_satisfacao_e_abordando_os_problemas_%E2%80%93_jennifer_potter.htm


Resposta Sexual Feminina x Masculina

MODELOS DE RESPOSTA SEXUAL HUMANA

"Nas décadas de 60 e 70, Willian Masters e Virgínia Johnson realizaram estudos experimentais sobre a resposta sexual humana. Sua teoria foi formulada em laboratório onde era possível pesquisar cientificamente as modificações do corpo durante a atividade sexual. Masters e Johnson contaram com o apoio de pessoas voluntárias que permitiram o monitoramento das atividades sexuais através de um aparelho criado para detectar alterações de cor e temperatura corporais. Os autores concluíram que havia um padrão de resposta sexual para homens e mulheres, o qual foi chamado de Ciclo de Resposta Sexual Humana. Esse ciclo possui quatro fases distintas: excitação, platô, orgasmo e resolução. Esse modelo leva em consideração tanto os estímulos internos (desejos e fantasias) quanto os externos (provocados através dos sentidos).
Entretanto, o modelo explicativo de Masters e Johnson apresentava algumas falhas e irregularidades, pois os aspectos subjetivos e particulares da resposta sexual não eram considerados.

Partindo dessas falhas e na tentativa de superá-las e aprimorá-las, a psiquiatra Helen Kaplan, em 1979, completa o modelo da resposta sexual adicionando ao ciclo de Masters e Johnson o “Desejo”. Para a autora, antes da fase de excitação, o desejo era elemento fundamental da sexualidade. E, como as mulheres, após chegarem ao orgasmo, se estimuladas conseguem atingir o clímax quantas mais vezes forem possíveis, a fase de resolução não entra no seu modelo de resposta sexual." http://comsentir.com.br/modelos-biologicos-da-resposta-sexual/

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a) Modelo Tradicional
Nos modelos tradicionais citados acima, os eventos prosseguem em etapas ordenadas. O desejo é necessariamente a 1ª etapa, a excitação a segunda e o orgasmo é a meta explícita, embora nem sempre seja alcançada., seguido da etapa da resolução. "Uma importante diferença entre os sexos está no fato de o orgasmo masculino ser seguido de um período refratário mais longo, enquanto múltiplos orgasmos sequenciais podem ser mais prontamente alcançados nas mulheres." (Potter J. Female sexuality: assessing satisfaction and addressing problems. ACP Medicine. 2009;1-23.)


Os modelos tradicionais de resposta sexual humana são lineares. Nos homens (a), o orgasmo é seguido de um período refratário, após o qual uma nova estimulação (linha azul) pode novamente produzir excitação e levar a um 2º orgasmo. As mulheres (b) podem ter apenas um único orgasmo (linha azul), múltiplos orgasmos (linha preta) ou atingirem um platô sem orgasmo (linha cinza).

MODELO TRADICIONAL

"A resposta sexual segue um padrão de estágios seqüenciais ou fases quando a atividade sexual continua. Primeiro, há a Fase de excitação marcada pelo aumento do pulso e da pressão sanguínea , aumento do suprimento de sangue na superfície do corpo, resultando em aumento da temperatura da pele, rubor e inchaço de todas as partes do corpo distensíveis (especialmente no peito e no peito feminino), mais rápido Respiração, secreção de fluidos genitais, expansão vaginal e aumento geral da tensão muscular. 

Estes sintomas de excitação eventualmente aumentam para um nível fisiológico quase máximo, a Fase Platô , que geralmente é de curta duração. Se a estimulação continuar, o orgasmo geralmente ocorre. O orgasmo é marcado por um sentimento de prazer intenso súbito, aumento abrupto dao batimento cardíaco e pressão sanguínea e espasmos dos músculos pélvicos causando contrações vaginais na fêmea e ejaculação pelo macho. Também pode ocorrer vocalização involuntária. O orgasmo dura alguns segundos (normalmente não mais de dez), após o qual o indivíduo entra na Fase de Resolução , o retorno a um estado fisiológico normal ou subnormal. 

Até a fase de resolução, os machos e as fêmeas são os mesmos em sua sequência de resposta, mas, enquanto os machos retornam ao normal, mesmo que a estimulação continue, a estimulação contínua pode produzir orgasmos adicionais nas fêmeas. 

Em resumo, após um orgasmo, um macho não responde à estimulação sexual e não pode começar a construir outra fase de excitação até que algum período de tempo tenha decorrido, mas as fêmeas são fisicamente capazes de orgasmos repetidos [orgasmos múltiplos]sem o "período de repouso" exigido pelos homens." https://www.britannica.com/topic/human-sexual-behaviour  Encyclopædia Britannica  Abril 10, 2016

b) Modelo Circular
"Basson desenvolveu um novo modelo de resposta sexual, em uma tentativa de transmitir mais habilmente a complexidade da função sexual feminina.17 Este modelo é circular e contém múltiplas alças de retroalimentação, por meio das quais o desejo sexual e a excitação podem ser intensificados ou inibidos [Figura 3]. O desejo espontâneo não é necessariamente um fator a ser incluído no ciclo. Apenas o sentimento de proximidade emocional e o engajamento em toques íntimos pode levar à excitação. Este modelo mais realista reconhece o fato de que a resposta subjetiva (proximidade emocional com o parceiro durante a atividade sexual) pode ser tão importante para algumas mulheres quanto a resposta física (atingir o orgasmo)." (Potter J. Female sexuality: assessing satisfaction and addressing problems. ACP Medicine. 2009;1-23.)

Para Basson muitas mulheres iniciam a experiência sexual em estado de neutralidade sexual, isto é, tendo uma necessidade não sexual em função de outros "ganhos": intimidade emocional, necessidade de maior proximidade, demonstração dos sentimentos pela ausência emocional ou física do parceiro. Sendo também importante a presença de estímulos sexuais adequados e da experiência sexual anterior. Este contexto apropriado propicia uma disposição da mulher para se focar em estímulos sexuais.







Ao final da década de 1990, Rosemary Basson, psiquiatra canadense, , acrescentou ao modelo tradicional aspectos relacionados à receptividade da mulher à experiência sexual. Nesse modelo alternativo, o desejo por intimidade, ao invés de um impulso biológico, desencadearia em muitas mulheres o ciclo de resposta sexual. Esse novo modelo da resposta sexual feminina  sublinha a interdependência das relações e dos fatores da função sexual em mulheres. Portanto, a sexualidade e a função sexual em mulheres (em sua maioria)  segue uma trajetória circular em que estímulos emocionais e de relacionamento são questões que desempenham um papel fundamental e o desejo sexual intrínseco desempenha um papel muito menor.


1ª. Fase: Início da atividade sexual com motivação não necessariamente sexual.
2ª. Fase: Receptividade ao estímulo sexual em contexto adequado, identificação da excitação sexual potencial (excitação subjetiva e resposta física), desencadeando a responsividade biológica.
3ª. Fase: Vivência da excitação subjetiva, que também pode desencadear a consciência de desejo sexual.
4ª. Fase: Aumento na intensidade da excitação e do desejo responsivo, podendo ou não ocorrer o alívio orgástico.
5ª. Fase: Satisfação física e emocional, aumentando a receptividade para iniciar a atividade sexual na próxima vez, o que fecha, portanto, um modelo circular. Havendo insatisfação física ou emocional, diminui a motivação para ser ativa sexualmente no futuro.Observou-se que o desejo inato ou espontâneo, experimentado anteriormente ao início da estimulação, pode algumas vezes estar presente, desencadeando o ciclo da resposta sexual e substituindo as duas primeiras fases. Caracteriza-se, neste caso, uma combinação com o modelo tradicional. Estabeleceu-se a ressalva de que a ausência do desejo espontâneo não caracteriza uma disfunção sexual.



FONTES:
http://www.medicinanet.com.br/conteudos/acp-medicine/5802/sexualidade_feminina_avaliando_a_satisfacao_e_abordando_os_problemas_%E2%80%93_jennifer_potter.htm  (Sexualidade feminina avaliando a satisfação e abordando os problemas – Jennifer Potter)
https://www.britannica.com/topic/human-sexual-behaviour  Encyclopædia Britannica  Abril 10, 2016
http://comsentir.com.br/modelos-biologicos-da-resposta-sexual/

quinta-feira, 13 de julho de 2017

O que é Gênero? qual a diferença entre Gênero e Sexo?

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O QUE É GÊNERO?
"O gênero refere-se às características socialmente construídas de mulheres e homens - tais como normas, papéis e relacionamentos de e entre grupos de mulheres e homens. Isso varia de sociedade para sociedade e pode ser mudado.
Enquanto a maioria das pessoas nasce masculino ou feminino, são ensinadas normas e comportamentos adequados - incluindo como eles devem interagir com outros do mesmo sexo ou oposto dentro das famílias, comunidades e locais de trabalho. Quando indivíduos ou grupos não se "ajustam" as normas de gênero estabelecidas, muitas vezes enfrentam estigmas, práticas discriminatórias ou exclusão social - tudo isso afeta negativamente a saúde. É importante ser sensível a diferentes identidades que não se encaixam necessariamente em categorias sexuais masculinas ou sexuais.
As normas, os papéis e as relações de gênero influenciam a susceptibilidade das pessoas a diferentes condições e doenças de saúde e afetam o gozo de uma boa saúde mental, física e bem-estar. Eles também influenciam o acesso e o aproveitamento das pessoas dos serviços de saúde e os resultados de saúde que eles experimentam ao longo do curso da vida."

O QUE INFLUENCIA A FORMAÇÃO DO GÊNERO?
"o termo gênero surgiu a partir da constatação de que, para indivíduos com indicadores biológicos conflitantes ou ambíguos de sexo (i.e., "intersexuais"), o papel desempenhado na sociedade e/ou a identificação como masculino ou feminino não poderiam ser associados de maneira uniforme com ou ser preditos a partir de indicadores biológicos e, mais tarde, de que alguns indivíduos desenvolvem uma identidade masculina ou feminina em desacordo com seu conjunto uniforme de indicadores biológicos clássicos.
Assim, o termo gênero é utilizado para denotar o papel público desempenhado (e em geral juridicamente reconhecido) como menino ou menina, homem ou mulher; porém, diferentemente de determinadas teorias construcionistas sociais, osfatores biológicos, em interação com fatores sociais e psicológicos, são considerados como contribuindo para o desenvolvimento do gênero.  (DSM V)
O QUE É SEXO?  OU SEXO DESIGNADO?

Sexo:

"Sexo refere-se às características biológicas que definem os seres humanos como feminino ou masculinoEmbora esses conjuntos de características biológicas não sejam mutuamente exclusivos, pois existem indivíduos que possuem ambos, tendem a diferenciar humanos como machos e fêmeas. Em geral, em muitas línguas, o termo sexo é freqüentemente usado para significar "atividade sexual", mas para fins técnicos no contexto das discussões sobre sexualidade e saúde sexual, a definição acima é preferida." http://www.who.int/reproductivehealth/topics/sexual_health/sh_definitions/en/
"Compreende-se a identidade de gênero como um profundo sentimento interno da pessoa
e sua individual experiência de gênero, que pode ou pode não corresponder com o sexo atribuído*
no nascimento, incluindo o senso pessoal do corpo (que pode envolver, se livremente escolhido,
modificação da aparência corporal ou função por meios médicos, cirúrgicos ou outros) e
outras expressões de gênero*1 incluindo vestimenta, fala e maneirismos.

A Identidade de gênero existe em um espectro. Isso significa que a identidade de gênero do indivíduo não é necessariamente confinada a uma identidade completamente masculina ou completamente feminina. Quando a identidade de gênero do indivíduo é diferente do sexo designado (atribuído) são comumente considerados como sendo Transgênero, fluido de gênero e / ou gênero queer (estranho).  Considerando que, quando a identidade de  gênero de um indivíduo alinha-se com o sexo atribuído, eles são comumente considerados cisgênero."  
 http://www.who.int/entity/gender-equity-rights/news/20170329-health-and-sexual-diversity-faq.pdf?ua=1
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FONTES:
DSM V
OMS- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SÁUDE (VER LINKS ACIMA)

Morte do Desejo - Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo em Homens

  DESEJO SEXUAL HIPOATIVO DESEJO SEXUAL HIPOATIVO Morte do Desejo - Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo em Homens Sumário :  Este texto ap...